A Cimeira de Lisboa, que reúne a União Europeia e a África, proporcionou-nos uma oportunidade única para juntos abordarmos os desafios comuns com que hoje se confrontam os nossos continentes, no ano em que celebramos o 50.º aniversário da integração europeia e o 50.º aniversário do início da independência de África.
Reunimo-nos tendo bem presentes os ensinamentos e as experiências do passado, mas também na certeza de que o nosso futuro comum exige uma abordagem audaciosa que nos permita enfrentar com confiança as exigências do nosso mundo cada vez mais globalizado.
Desde a nossa primeira reunião, em 2000 no Cairo, muita coisa mudou. Em África, assistimos à criação da União Africana, que proporciona um novo quadro continental para abordar as questões africanas e se tornou uma voz respeitada do continente, bem como do seu instrumento económico, a NEPAD. Na Europa, a UE cresceu em número de membros e em esfera de acção, aprofundando o seu processo de integração e adquirindo novas responsabilidades no mundo. À escala mundial, temos hoje uma consciência mais clara da nossa interdependência vital e estamos decididos a congregar esforços para enfrentar os principais desafios políticos do nosso tempo, como a energia e as alterações climáticas, as migrações ou as questões de género.
Como testemunho das nossas ambições, e de tudo o que hoje partilhamos e partilhámos no passado, estamos decididos a construir uma nova parceria política estratégica para o futuro, ultrapassando a tradicional relação doador-receptor e partindo de valores e objectivos comuns, na via da paz, da estabilidade e do Estado de direito, do progresso e do desenvolvimento.
Desenvolveremos esta parceria de iguais, baseada no empenhamento efectivo das nossas sociedades, de modo a alcançar resultados significativos no contexto dos nossos compromissos fundamentais, a saber: a realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio; a constituição de uma sólida arquitectura de paz e segurança em África; o reforço do investimento, do crescimento e da prosperidade através da integração regional e do estreitamento dos laços económicos; a promoção da boa governação e dos direitos humanos; e a criação de oportunidades para moldar a governação mundial num quadro aberto e multilateral.
Estamos decididos a dar a esta nova parceria estratégica os meios e instrumentos necessários que lhe permitam pôr em prática a Estratégia Conjunta e o Plano de Acção que hoje aprovámos, e criámos para tal um mecanismo de acompanhamento abrangente e eficaz, capaz de assegurar resultados na concretização destes objectivos e de nos dar a ver esses resultados por ocasião da Terceira Cimeira, que terá lugar em 2010.
Estamos convictos de que esta Cimeira será lembrada como um momento de reconhecimento da maturidade e da transformação operada no nosso diálogo de continentes, inaugurando novas vias e oportunidades para agir colectivamente em prol do nosso futuro comum.
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