Senhor Presidente da União Africana Senhores Presidentes Senhores Primeiros-Ministros Excelências Senhores Presidentes dos Parlamentos Europeu e Africano; da Comissão Europeia e da Comissão da União Africana Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa Caros Convidados Minhas Senhoras e meus Senhores
Quero falar-vos do fundo do meu coração.
Julgo que esta Cimeira de Lisboa foi um acontecimento verdadeiramente extraordinário. É isso que sinto e é este sentimento que quero partilhar convosco.
Esta Cimeira é, em si mesmo, um resultado: ela foi capaz de superar um impasse de muitos anos e conseguiu reunir finalmente, aqui em Portugal, quase todos os líderes europeus e africanos – e isso é um facto político da maior importância para o diálogo e para o futuro dos dois continentes.
Mas a verdadeira razão pela qual esta Cimeira se tornou um acontecimento extraordinário é porque ela foi capaz de conquistar um lugar na História. Encontrámo-nos, é verdade. Mas a maior novidade é que nos encontrámos, olhos nos olhos, entre iguais, com um espírito novo. E é nesse espírito novo que verdadeiramente se fundamenta a mensagem de esperança que sai desta Cimeira.
De tudo o que ouvi ao longo destes dias, dentro e fora desta sala, posso dizer que a ideia mais repetida, mais partilhada pelos líderes europeus e africanos que aqui se reuniram, é que esta Cimeira representa, efectivamente, o virar de uma página da História. Uma História de muitos encontros e desencontros, uma História muitas vezes sofrida, mas também uma História de progresso e de libertação. Uma História de convivência, de partilha e de aprendizagem mútua, que se fez património comum na nossa memória e na nossa cultura.
A Cimeira de Lisboa ficará, sem dúvida, como um marco nas relações Europa-África. Haverá um antes e um depois desta Cimeira. É certo, a nova página da História que aqui virámos está ainda por escrever. E é essa, a partir de agora, a nossa maior responsabilidade. Mas partimos para este tempo novo, com um espírito novo – e com um projecto novo.
Cumprimos nesta Cimeira todos os grandes objectivos a que nos tínhamos proposto e fizemos o que nunca antes tínhamos feito: adoptámos uma Estratégia Conjunta, um Plano de Acção e um mecanismo de monitorização da sua implementação; e assumimos uma agenda para enfrentar os muitos e sérios desafios que temos pela frente: da paz e segurança à governação e aos direitos humanos; do desenvolvimento às alterações climáticas e às migrações.
Esta foi uma Cimeira que deu voz. Esta não foi uma Cimeira de silêncios comprometidos. Não. Esta Cimeira teve a coragem de identificar e enfrentar os problemas, com transparência e com sinceridade. E soube dar voz a quem precisa dela, como é próprio de um diálogo político aberto e maduro.
Foi uma Cimeira que deu voz:
• aos direitos humanos; • aos refugiados e aos imigrantes; • às legítimas aspirações de desenvolvimento dos africanos; • e a todos aqueles que aspiram a uma globalização mais justa e a um futuro melhor para as gerações futuras.
Desta Cimeira fica a declaração de Lisboa. Uma declaração que resume a nossa vontade, a nossa visão e os nossos compromissos. Mas fica sobretudo o espírito de Lisboa. Um espírito de cooperação, de ambição e de amizade.
Lisboa foi nestes dias a mais africana das cidades europeias. Quero que todos saibam que tivemos muito orgulho nisso. Quero saudar o Senhor Presidente da Câmara de Lisboa, aqui presente, e agradecer a ajuda que deu à realização desta Cimeira. Mas quero agradecer também aos lisboetas. Sei bem o que tiveram de suportar nestes dias para que esta Cimeira fosse um êxito. Quero, por isso, agradecer-lhes em nome de todos. Mas tenho a certeza que os lisboetas, tal como todos os portugueses estão orgulhosos por termos organizado no nosso País o maior e o mais importante dos eventos políticos já realizados em Portugal.
Permitam-me uma nota pessoal para agradecer à equipa do Ministério dos Negócios Estrangeiros, ao Ministro Luís Amado, ao SE João Cravinho e à diplomacia portuguesa. Foi um ano de trabalho em que tivemos de enfrentar muitas dificuldades. Mas valeu a pena.
Como tive ocasião de dizer na minha intervenção na sessão de abertura, Portugal soube ser, uma vez mais, a ponte perfeita entre a Europa e África. E uma vez mais foi a língua portuguesa a unir os dois continentes.
Mas o sucesso desta Cimeira é o sucesso de um encontro de vontades. A vontade da União Europeia e a vontade de África e da União Africana. Ao Presidente John Kufuor, meu bom amigo, agradeço todo o empenhamento neste trabalho conjunto e nele saúdo todos os líderes africanos.
Agradeço, também, aos chefes de Estado e de Governo europeus, pela vossa presença tão significativa e todo o vosso empenho nesta nova parceria estratégica com África.
E agradeço a todos o terem vencido a distância para que nos tenhamos podido encontrar aqui em Lisboa. Mas creio que se a distância geográfica nunca foi o nosso maior problema, a partir desta Cimeira de Lisboa, é claro para todos que a distância política deixou de ser o maior obstáculo para o nosso futuro comum, um futuro melhor para os povos da Europa e de África, num Mundo em mudança.
Em 2010 tornaremos a encontrar-nos, de novo numa Cimeira, para avaliar o caminho percorrido e olhar o futuro. E, dessa vez, o encontro será aqui bem perto. Em África.
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